Fornecedores e prestadores de serviço entram na Justiça para cobrar pagamentos das empresas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras

Transposição do Rio São Francisco, próximo a Cabrobó (PE)

Obras de transposição do Rio São Francisco já foram afetadas 
(Cristiano Mariz/VEJA)

A vida financeira das construtoras envolvidas na Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção nos contratos da Petrobras, anda tão difícil que nem as despesas mínimas estão sendo pagas. Com caixa debilitado e sem crédito na praça, as empresas vivem um bombardeio de ações judiciais movidas por fornecedores, que cobram por serviços prestados, venda de produtos e locação de equipamentos. Na outra ponta, o reflexo tem sido a redução do ritmo das obras e do quadro de funcionários de algumas construtoras.

Os problemas surgiram com a sétima fase da operação Lava Jato, da Polícia Federal, desencadeada na primeira quinzena de novembro e que prendeu executivos de várias construtoras, como Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior, UTC, Engevix, Iesa, Galvão Engenharia e Queiroz Galvão. No fim de dezembro, a situação se complicou ainda mais com a lista de 23 empresas proibidas de participar de novas licitações da Petrobras.

Sem receber por contratos em andamento e impedidas de participar de novos negócios, as empresas também deixaram de pagar fornecedores e estão enxugando suas estruturas.

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A Galvão Engenharia, por exemplo, decidiu fechar a divisão de engenharia industrial, a mais ligada aos projetos da Petrobras. A empresa diz que, além das dívidas vencidas, tem cerca de 900 milhões de reais a receber da estatal, que paralisou todos os pagamentos desde 2014. Sem dinheiro, a companhia também parou de pagar seus fornecedores.

Um deles é a Four Tech, empresa que faz locação de equipamentos para o ramo de petróleo. A empresa alugou máquinas para a Galvão usar nas obras da Refinaria de Paulínia. Depois da Lava Jato, porém, a empresa deixou de pagar o devido, até mesmo uma dívida de apenas 14.000 reais.

“Entramos em contato com a empresa no fim de janeiro e ela disse que só no segundo semestre (teria dinheiro para pagar)”, diz o advogado da companhia, Vinicius Feitoza Paes. Segundo ele, a alternativa escolhida pela Four Tech para receber o dinheiro foi cobrar na Justiça.

Mesmo caminho foi seguido pela Engete Engenharia, de Belo Horizonte (MG). O diretor Vicente Paulo conta que havia feito um acordo com a Galvão para pagamento parcelado de uma dívida, mas o negócio não foi cumprido e a empresa também teve de ir à Justiça.

A SH Formas, locadora de equipamentos para construção (andaimes, escoras metálicas, etc.), foi além de uma simples ação judicial para cobrar a dívida da Mendes Júnior: pediu a falência da empresa. O advogado da companhia, Renato Leal, conta que a construtora se comprometeu a pagar o débito, de 2,2 milhões de reais, em oito vezes, mas só quitou três parcelas. Segundo ele, além desse valor, há outros contratos em andamento que ainda não foram pagos.

A Mendes Júnior afirmou que o processo ainda não foi julgado e que, portanto, não comentaria o assunto. Desde que a Operação Lava Jato foi deflagrada pela Polícia Federal, a empresa vive um problema atrás do outro. No começo do ano, ela teve dificuldade para pagar funcionários da obra de Transposição do São Francisco. A segunda parcela do 13º salário foi paga na segunda semana de janeiro, mas os trabalhos no canteiro de obras só tiveram início mais tarde porque a empresa não tinha dinheiro para despesas básicas, como combustível.

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A vida de OAS e Queiroz Galvão também não anda nada fácil. As duas são campeãs em ações judiciais. Só no Tribunal de Justiça de São Paulo, elas acumulam quase cinquenta pedidos de janeiro até agora, sendo a maioria referente a execução de títulos não pagos. Além da redução do quadro de funcionários, essas empresas também estão com dificuldade para tocar obras importantes Brasil afora.

Braskem – Além das empreiteiras, a petroquímica Braskem também está sendo prejudicada pelas denúncias de corrupção da Petrobras. Um contrato entre as duas empresas vencerá no dia 28 de fevereiro, mas a estatal ainda não se manifestou sobre uma renovação. O acordo, de 9 bilhões de reais anuais, envolve o fornecimento pela Petrobras de nafta, um derivado do petróleo usado na fabricação de resinas e principal insumo da Braskem. A petroquímica ainda não sabe se receberá a matéria-prima no mês que vem.

Hoje, a Braskem é a única compradora de nafta no Brasil e maior fornecedora da indústria química. Segundo a empresa, que tem como sócios o grupo Odebrecht (38%) e a própria Petrobras (36%), se a situação chegar ao limite, três polos petroquímicos brasileiros podem ter de interromper a produção, segundo o presidente da Braskem, Carlos Fadigas.

(Com Estadão Conteúdo) via Construtoras da Lava Jato enfrentam enxurrada de ações – Economia – Notícia – VEJA.com.

Construtoras da Lava Jato enfrentam enxurrada de ações

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