“Porto de Paranaguá e moradores Vila Becker travam briga após MP” – Matéria de 06/06/2013 G1 – E a briga segue nos dias de hoje, envolvendo outros moradores

Lino Ibarra, de 66 anos, mora a 15 na Vila Becker (Foto: Bibiana Dionísio/ G1 PR)

Lino Ibarra, de 66 anos, mora a 15 na Vila Becker
(Foto: Bibiana Dionísio/ G1 PR)

Um dos desafios do Porto de Paranaguá é solucionar os problemas na Vila Becker, área próxima às estruturas portuárias que foi atingida por grandes acidentes envolvendo o porto e motivaram um processo para retirar 400 famílias da região.

Em 2004, um navio com bandeira chilena, que trabalhava com produtos inflamáveis, explodiu. Muitas famílias dizem que sentiram a casa tremer com a força da explosão. Já em 2009, um vazamento no Terminal Público de Álcool voltou a assustar os moradores da vila. O líquido, segundo os moradores, chegou a entrar em alguns lares.

A gestão constrói em outra região da cidade, longe das operações portuárias, por meio da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), novas casas. Até junho, segundo o porto, 60 famílias já deverão ter se mudado.  Outros moradores, porém, querem outra opção. Querem que o Porto de Paranaguá pague pelas atuais residências para que eles possam comprar outras casas, onde decidirem se mudar

"A casa já está sendo uma indenização pela omissão do estado 
de não ter tirado eles antes. (...) Não é que nós estamos 
entrando e tomando as áreas. As áreas são nossas de direito"
Luiz Henrique Dividino, superintendente do Porto de Paranaguá

“Aquela área é do porto. Tudo aquilo é invasão. Nós não estamos sendo bonzinhos ou ruinzinhos de fazer aquilo. Nós estamos sendo obrigados por uma decisão judicial. (…) A casa já está sendo uma indenização pela omissão do estado de não ter tirado eles antes. Não é ao contrário. Não é que nós estamos entrando e tomando as áreas. As áreas são nossas de direito”, argumenta o superintendente do porto, Dividino.

“A gente até gostaria que pudesse ser diferente. Nós estamos gastando uma fábula no sentido de minimizar o impacto”, afirma. O intuito é retirar as famílias para que a região seja transformada em área de controle – um espaço vazio deixado por segurança – e também para expansão de ações operacionais.

O aposentado Lino Ibarra, de 66 anos, mora há 15 na Vila Becker. Ele saiu do Paraguai em busca de melhores condições de vida no litoral do Paraná. Ibarra garante que comprou o terreno onde construiu duas casas e mora com a mulher e o filho, que trabalham no porto. Segundo Ibarra, ele e a esposa ganham um salário mínimo de aposentadoria e a família acaba sendo sustentada pelo filho.

“Para muitas pessoas, é ótimo negócio, mas para nós que temos uma casa grande, de material, não tem condição”, afirma o aposentado. Ele reclama do tamanho, da qualidade e da distância das casas erguidas pela Cohapar.

"Não vai ter nada lá. Tem faculdade, mas faculdade para gente pobre não é negócio. Faculdade é para quem pode. Da turma 
daqui, ninguém vai poder ir à faculdade"
Lino Ibarra, morador da Vila Becker há 15 anos

“Lá não vai ter médico, não vai ter posto policial. Não vai ter nada lá. Tem faculdade, mas faculdade para gente pobre não é negócio. Faculdade é para quem pode. Da turma daqui, ninguém vai poder ir à faculdade. Para nós, se sair daqui, a vida vai ser muito mais difícil”, diz o aposentado.

O aposentado questiona os investimentos públicos feitos na Vila. Segundo ele, o asfalto, a iluminação e a rede de esgoto chegam a todas as casas e isso lhe parece contraditório. “Eles fazem investimento, dão manutenção, tem água encanada e fazem a limpeza. Eles não abandonam. Eu acho que se o governo não quisesse que a gente ficasse, não teria investido. Eu já vim de um país muito difícil.”

Sara quer sair da Vila Becker, mas não aceita a casa da Cohapar (Foto: Bibiana Dionísio/ G1 PR)
Sara quer sair da Vila Becker, mas não aceita a casa da
Cohapar (Foto: Bibiana Dionísio/ G1 PR)

Ibarra enfatiza que não desconsidera a possibilidade de sair da casa onde vive. Entretanto, quer ter a opção de escolher onde morar. “Se me pagarem, me indenizarem, eu vou embora para onde eu acho melhor”.

Ibarra afirma que, para a família dele, as novas casas não valem a pena. Contudo, diz entender que outras famílias podem aceitar as novas casas, porque são melhores que as atuais.

Com uma casa mais simples que a de Ibarra, a dona de casa Sara Maria de Souza Vieira, de 25 anos, concorda com as reclamações. Ela conta que deseja sair da Vila Becker, pois acha perigoso morar próximo ao porto. Seguno Sara, as roupas no varal ficam duras de tanto pó. Apesar disso, ela também quer ser indenizada para comprar uma residência na região. “Meu marido trabalha aqui, não quero ir para lá. É muito longe.”

via G1 – Com 20 projetos prontos, Porto de Paranaguá teme atraso após MP – notícias em Paraná.

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