Aedes que não transmite vírus é a grande aposta da Fiocruz contra zika


Pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) estão obtendo resultados promissores em um novo experimento contra o Aedes aegypti. Eles introduziram a bactéria Wolbachia (lê-se voubáquia) em ovos do mosquito para torná-lo incapaz de transmitir os vírus da dengue, da febre amarela, da chikungunya e da zika.

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Para o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, esta é uma das principais apostas científica do país no controle dos surtos para os próximos anos, porque, ao contrário do polêmico mosquito transgênico infértil da Oxitec usado em algumas cidades do Brasil, este é capaz de substituir a população existente sem nenhum prejuízo ao equilíbrio do meio ambiente.

A técnica também não envolve modificação genética ou procedimento com produtos tóxicos –a Wolbachia já existe em mais da metade dos insetos do mundo, inclusive no pernilongo, e não causa danos à saúde humana. “É uma bactéria restrita a animais invertebrados”, explica a Fiocruz.

A técnica, desenvolvida na Austrália, usa microinjeção para inserir a bactéria, originária da mosca-das-frutas (a Drosophila melanogaster), nos mosquitos. A bactéria bloqueia o vírus e impede a transmissão de doenças, além de reduzir a longevidade do Aedes.

O teste atual está sendo feito nos bairros de Tubiacanga, no Rio deJaneiro, e Jurujuba, em Niterói (RJ), onde os mosquitos modificados já estão soltos e reproduzindo-se na natureza. Por ali nasce uma geração de insetos que, após seis meses de análise, carregam a bactéria e deixam de ser vetores das doenças. Continuar lendo

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NOTA OFICIAL DO DR.SÉRGIO MORO


A pedido do Ministério Público Federal, este juiz autorizou a realização de buscas e apreensões e condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento. Como consignado na decisão, essas medidas investigatórias visam apenas o esclarecimento da verdade e não significam antecipação de culpa do ex-presidente. Cuidados foram tomados para preservar, durante a diligência, a imagem do ex-presidente.
Lamenta-se que as diligências tenham levado a pontuais confrontos em manifestação políticas inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar. Repudia este julgador, sem prejuízo da liberdade de expressão e de manifestação política, atos de violência de qualquer natureza, origem e direcionamento, bem como a incitação à prática de violência, ofensas ou ameaças a quem quer que seja, a investigados, a partidos políticos, a instituições constituídas ou a qualquer pessoa. A democracia em uma sociedade livre reclama tolerância em relação a opiniões divergentes, respeito à lei e às instituições constituídas e compreensão em relação ao outro.
Curitiba, 05 de  março de 2016.

via ATAQUE ABERTO: NOTA OFICIAL DO DR.SÉRGIO MORO.

Lamacchia, um bilionário encrencado


O bairro paulistano do Jardim Boa Vista, localizado no extremo da zona Sul de São Paulo, está entre os mais violentos da cidade. Sempre que um crime acontece, é normal os moradores serem alvo da curiosidade da imprensa. Foi o que a ex-faxineira Glória da Graça de Souza, 67 anos, pensou ao ver um fotógrafo descer do táxi, em frente ao portão de sua casa, para tomar fotos dela. Depois de alguns cliques, o homem identificou-se como o jornalista Pedro Menezes e perguntou se o nome dela era Glória. Assustada e sem saber o que se passava, ela assentiu com a cabeça.

A admissão fez uma segunda pessoa descer do carro e causar espanto na funcionária pública aposentada. Era o empresário José Roberto Lamacchia, sócio da financeira Crefisa e da Faculdade das Américas (FAM), e um dos maiores patrocinadores do futebol brasileiro. Ele correu e invadiu a residência de Glória, que tentou impedi-lo para não assustar os quatro netos menores de idade que estavam sob seus cuidados. Dentro da casa simples, de cômodos inacabados e muita reforma a fazer, o empresário acostumado aos nobres bairros Jardim Paulista, onde mora, e Jardim América, onde trabalha, forçava a barra para ser ouvido.

Apesar da gritante diferença social, o bilionário Lamacchia e ex-faxineira Glória são “sócios” na FAM, universidade privada criada em 1998, com duas unidades em São Paulo, aproximadamente 17 mil alunos em 28 cursos. A invasão de domicílio, registrada em Boletim de Ocorrência (B.O.) na Polícia no dia 4 de outubro de 2011, foi um ato desesperado de um empresário acuado, numa tentativa de convencê-la a retirar um processo contra ele na Justiça. Lamacchia, diz Glória, forçou o encontro para suborná-la e chantageá-la. Ela movia o processo de número 0194670-49.2011.8.26.01.000, no Foro Central de São Paulo, no qual pedia para ser reconhecida como a única associada do Cebrasp, entidade que deu origem à FAM.

Também requeria a devolução de mais de R$ 150 milhões desviados por Lamacchia – em números atualizados, esse valor chegaria a R$ 500 milhões, quantia que ela pretende transferir integralmente para uma entidade social. Para ele, era uma questão de vida ou morte. Para ela, somente uma questão de justiça. E ele perdeu. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já deu ganho de causa para Glória e o bilionário não pode mais recorrer dessa decisão. Em fase de execução, a sentença – agora revelada com exclusividade pela DINHEIRO – transforma Glória numa milionária e compromete o futuro dos negócios de Lamacchia e seu patrimônio.

Daí sua tentativa desesperada de convencê-la um ano antes da sentença final, proferida em 13 de março de 2012. Aquela invasão de domicílio até hoje causa repulsa a Glória. “Ele invadiu a minha casa e começou a falar que aquilo não era vida. Ele disse que daria uma vida melhor para mim, para meus netos”, afirmou Glória à DINHEIRO. Segundo a aposentada, Lamacchia apelou para que ela retirasse o processo, em troca de um pagamento de R$ 600 mil. Também daria um imóvel e um automóvel. Conforme relatou ao delegado Jair Barbosa Ortiz no 92oDP, Glória recusou a oferta e o empresário, então, sacou um repertório de ameaças, afirmando que ela assinaria os documentos de qualquer jeito e que eles voltariam até que conseguissem o que estavam buscando. Continuar lendo

A delação de Delcídio


Revelações do senador à força-tarefa da Lava Jato, obtidas por ISTOÉ, complicam de vez a situação da presidente Dilma e comprometem Lula

Débora Bergamasco, de Curitiba

Pouco antes de deixar a prisão, no dia 19 de fevereiro, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. ISTOÉ teve acesso às revelações feitas pelo senador. Ocupam cerca de 400 páginas e formam o mais explosivo relato até agora revelado sobre o maior esquema de corrupção no Brasil – e outros escândalos que abalaram a República, como o mensalão.

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 Com extraordinária riqueza de detalhes, o senador descreveu a ação decisiva da presidente Dilma Rousseff para manter na estatal os diretores comprometidos com o esquema do Petrolão e demonstrou que, do Palácio do Planalto, a presidente usou seu poder para evitar a punição de corruptos e corruptores, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato.
O senador Delcídio também afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras e agiu direta e pessoalmente para barrar as investigações – inclusive sendo o mandante do pagamento de dinheiro para tentar comprar o silêncio de testemunhas. O relato de Delcídio é devastador e complica de vez Dilma e Lula, pois trata-se de uma narrativa de quem não só testemunhou e esteve presente nas reuniões em que decisões nada republicanas foram tomadas, como participou ativamente de ilegalidades ali combinadas –a mando de Dilma e Lula, segundo ele.  Continuar lendo