Vereadores de todo Paraná mobilizados contra o Fracking

Vereadores do Paraná estão preocupados com a exploração do gás de xisto pelo FRACKING na região e mostraram isso no encontro da Uvepar (União de Câmaras, Vereadores e Gestores Pùblicos do Paraná), nesta quinta-feira (30) em Curitiba.

A convite do integrante da aldeia indígena de Laranjinha, vereador Eloy Jacinto, do município de Santa Amélia,  a ONG Uirapuru com Hermann & Advogados, a 350.org e a Coesus (Coalizão Não Fracking Brasil) participaram do evento para falar dos perigos do fraturamento hidráulico.

Fracking é um processo destrutivo usado para extrair gás da rocha de xisto que se encontra no subsolo. É preciso perfurar um poço profundo e injetar milhões de litros de água misturados a centenas de produtos tóxicos e cancerígenos e toneladas de areia a uma pressão alta o suficiente para fraturar a rocha e liberar o gás metano.

Em todo o mundo, as comunidades estão exigindo a proibição imediata desta prática perigosa, pois contamina a água que serviria para o consumo humano, indústria e agricultura e também os lençóis freáticos com centenas de produtos químicos utilizados no processo. Além dos impactos ambientais, econômicos e sociais, o fracking já está associado a terremotos e também contribuiu para as mudanças climáticas.

Modelo de Projeto de Lei da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pela Sustentabilidade

 Terremotos aconteceram recentemente em Londrina, em locais onde a prospecção de gás está no início. E agora o risco é que aconteçam em outras cidades. “Contei pelo menos doze caminhões na região que envolve Jundiaí do Sul, Ribeirão do Pinhal, Abatiá, Santa Amélia, Bandeirantes, Cornélio Procópio, Ribeirão Claro. Gente fazendo prospecção para exploração de gás do xisto. Temos que impedir que isso aconteça”, afirma o vereador Eloy.

Aparecido Almeida Correa, sec. executivo da Uvepar, Ester Amélia Mendes, geóloga da Sanepar, e Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina

 A geóloga da Sanepar Ester Amélia Assis Mendes, que participou do encontro, é contra a exploração, embora faça questão de afirmar que a sua opinião não reflita, necessariamente, a da empresa. “O abastecimento da região sul e sudoeste, por exemplo, depende do Aquífero Serra Geral. Fazer o fraturamento da rocha lá na região representa um grande risco de contaminação. Fracking é um perigo para saúde pública”, reconhece.

Fracking é um coquetel de 700 substâncias tóxicas e radioativas, milhões de litros de água doce e toneladas de areia usados indiscriminadamente para fraturar a rocha. Após as explosões, parte do fluído retorna à superfície pela tubulação contaminando o solo e o ar, enquanto o restante permanece no subsolo até chegar aos aquíferos – que também são contaminados.

Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina e Eloy Jacinto, vereador de Santa Amélia

 “É importante que todos os municípios proíbam o trânsito de caminhões e não deem outorga do uso de água de doce, a partir de projeto de lei aprovado em cada Câmara de Vereadores. A contaminação de um poço perfurado pode atingir o limite de outra cidade. O município tem o dever de acolher e proteger seus moradores, e a luta tem que ser conjunta”, acredita a diretora da 350.org Brasil e América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira, que foi uma das palestrantes do evento.

A Coalizão Não Fracking Brasil tem como campaigner, Kretã Kaigang, que atua entre os povos indígenas e as comunidades tradicionais. Ele e o vereador Eloy aproveitaram  o encontro  para articular audiências públicas em mais cidades do Paraná.  Durante o encontro, os vereadores e vereadoras acolheram muito bem a campanha e levarão a proposta de lei municipal contra o Fracking para as Câmaras de seus municípios.

Nas fotos abaixo, tiradas pelo vereador Eloy Jacinto, caminhões e tratores trabalham em Jundiaí do Sul:

caminhões em Jundiaí do Sultratores

 

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