Indígenas de aldeias em Mangueirinha lutam por terras

Idosa da tribo viu muitas mudanças na reserva com o passar do anos (Foto: Daniel Jaeger Vendruscolo / Arquivo pessoal)
Idosa viu muitas mudanças na reserva com o passar do anos 
(Foto: Daniel Jaeger Vendruscolo / Arquivo pessoal)

Começou com festa para os descendentes daqueles que já habitavam o Brasil quando os portugueses aqui chegaram, em 1500. A data é tida como um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.

No Paraná, em especial na Terra Indígena Mangueirinha, no sudoeste do estado, são cerca de 1,5 mil indíos, entre Kaingangue e Guarani, que lutam diariamente pela demarcação de terras.

Menino indígena se diverte com a água. (Foto: Daniel Jaeger Vendruscolo / Arquivo pessoal)Menino indígena se diverte com a água.
(Foto: Daniel Jaeger Vendruscolo / Arquivo pessoal)

A área tem mais de 16 mil hectares, no limite entre Mangueirinha, Coronel Vivida e Chopinzinho. Atualmente, é considerada a maior área de Araucária Nativa do mundo, destaca o sociólogo e professor-pesquisador professor-pesquisador (PNPD-Capes) do programa de mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR) Antonio Cavalcante de Almeida.

Por isso, os índios ficam limitados para plantar alimentos, já que não podem desmatar. Nas poucas áreas em que isso pode ser feito, eles plantam feijão, mandioca, soja, milho, entre outros, mas o espaço não garante o alimento para toda a comunidade, ressalta o sociólogo.

A renda familiar também vem da comercialização de artesanatos, feitos de penas de aves, palhas e madeira, que são oferecidos para os visitantes na própria aldeia e em pontos urbanos próximos.

Os índios chegaram à região provavelmente em meados de 1890 para ajudar na construção de uma estrada que que haveria de fazer a ligação entre os campos de Palmas à colônia militar do Chopinzinho, na mesma região. Assim, sob o comando do cacique Antonio Joaquim Cretãn, a mão de obra indígena foi contratada pelo governo do Paraná, que à época ainda era província de São Paulo. Ao efetuar o pagamento pelo serviço, o governo foi surpreendido pelos índios, conta Almeida.

“Eles disseram que não queriam dinheiro como forma de pagamento, mas sim terras. E foi então que o governo aceitou a proposta e delimitou parte das terras da região para os indígenas, que foram trazendo suas famílias aos poucos para a região da atual Mangueirinha”, diz o sociólogo, que destacou ainda que a coletividade sempre foi uma característica dos povos indígenas. “Eles pensaram que não teriam o que fazer com o dinheiro, mas que precisavam de terras para os povos”, acrescentou o sociólogo.

“De lá pra cá foram várias situações históricas em que esses indígenas tiveram que reivindicar seus direitos na Justiça. Eu me lembro, por exemplo,  que em 1949 o governo estadual, que era administrado pelo ex-governador Moisés Lupion, dividiu a área indígena em glebas e transferiu para o grupo econômico Forte-Khury, que passou a negociar para outras empresas, no caso, o grupo Slaviero”, relatou. Conforme Almeida, pouco tempo depois os Kaingangue e Guarani acabaram reconquistando o espaço novamente.

Festividades do Dia do Índio

Mais de 1,5 mil índios, entre Caingangues e Guaranis, vivem na reserva. (Foto: Daniel Jaeger Vendruscolo / Arquivo pessoal)Mais de 1,5 mil índios, entre Kaingangue e Guarani, 
vivem na área indígena (Foto: Daniel Jaeger Vendruscolo / Arquivo pessoal)

As festividades contam com comidas típicas como pinhão cozido, “emi”, que é um bolo de milho assado nas cinzas do fogo do chão e frutos e verduras cultivados na reserva como jabitucabas, pitangas, abóboras, entre outros.

As comemorações também contam com danças, atos religiosos e brincadeiras como cabo de guerra com cipó, corrida do cesto e pau de sebo.

Vida Urbana
Os índios da Terra Indígena Mangueirinha procuram manter as tradições dos antepassados, mas com o passar dos anos, acabaram interagindo mais a sociedade atual. Dentro da área indígena foram construídas duas estradas importantes – uma federal e outra estadual.

Muitas fábricas da região também contratam a mão de obra indígena, destaca o sociólogo. Com relação à educação, muitas aldeias têm apenas o Ensino Fundamental. Os índios que quiserem ter acesso ao Ensino Médio e Superior têm de estudar fora das aldeias. “Alguns até conseguem ultrapassar as dificuldades e se formar, mas esse índice ainda é muito pequeno diante da comunidade indígena em geral”, ressalta Almeida.

Mesmo tentando manter a tradição, os índios são cada vez mais influenciados pela cidade (Foto: Daniel Jaeger Vendruscolo / Arquivo pessoal)Mesmo tentando manter a tradição, os índios são cada vez mais influenciados 
pela cidade (Foto: Daniel Jaeger Vendruscolo / Arquivo pessoal)

via Indígenas de aldeias em Mangueirinha lutam por terras

Anúncios